|
O
resultado do exame confirmou o que eu tanto esperava: a partir daquele
mês, nós seríamos três. A emoção
foi grande, não sabíamos se ríamos ou se chorávamos.
Mandamos
flores para as futuras avós, contamos para os amigos e começamos
a contagem regressiva: faltavam 40 semanas.
Semana
é a unidade básica dos grávidos. A cada semana
que passa, a mamãe ganha algumas gramas e perde algumas roupas.
Tem horas que passam voando, tem horas que parecem dias, mas as
mudanças sempre acontecem semana-a-semana.
E
no decorrer dessas mudanças, muita gente não percebe
que o pai também fica grávido. É que a nossa
gestação não se dá na barriga, mas na
cabeça, no bolso e no coração. A gente não
sente as contrações, mas sente um “frio na barriga”.
Tudo muda em nossa vida a partir desse momento: a responsabilidade,
o plano de saúde, a farra com os amigos, a barriga da sua
mulher, o saldo da sua poupança, a cor dos seus cabelos,
o quarto-e-sala fica pequeno, logo, o seu endereço muda...
Enfim, as coisas mudam, mas mudam para melhor.
Para
acompanhar esses bons momentos, resolvi criar um site na Internet,
em forma de blog, a fim de registrar a gravidez de Juliana e compartilhar,
com amigos e parentes que moram longe, a espera da baixinha. Assim
nasceu o www.gravido.com.br.
Uma gestação paralela, sem nenhuma expectativa nem
maiores pretensões, mas que foi se desenvolvendo, semana-a-semana,
e que nos ajudou durante a gravidez.
Sempre
quis ser pai e, através do blog, pude tentar entender melhor
o que isso significa. Ali, parei para refletir e escrever sobre
essa maravilhosa, e muitas vezes, ansiosa espera. Rapidamente, o
blog foi sendo cada vez mais lido e visitado. Mila ganhou muitos
tios e tias virtuais e nós ganhamos muitos amigos. Pessoas
que chegaram lá para dar uma força, desejar coisas
boas e deixar opiniões sobre livros, amamentação,
parto, chupetas, babás... (Chegamos a ter posts - como são
chamados os textos publicados num blog - com mais de 200 comentários).
E eu, lá, me questionando sobre essa tal paternidade.
Escrever
o blog ajudou essa ficha a cair. Apesar de que, a ficha só
caiu mesmo quando fui registrar Mila no cartório. Não
foi o registro nem a certidão. Foi meu carro. Explico: é
que no estacionamento, voltando do cartório, vi algo diferente
no banco de trás e me perguntei: o que é aquilo? Era
o bebê-conforto de Mila que estava lá, pronto para
levá-la pra casa, depois do hospital. Naquela hora percebi
que eu já não era mais o mesmo. Meu carro, acostumado
a levar violão, prancha, livros e “fins-de-semana prolongados”,
a partir de agora vai levar minha filha para onde eu for. E isso
muda tudo.
Bom,
voltando ao blog... acredito que a Internet, além de todas
as vantagens já conhecidas, é uma ótima companhia
para o casal grávido. Navegar na web é ótimo
para marinheiros e pais de primeira viagem, como nós.
Hoje,
depois de semanas, ultrasons, fraldas e posts, tenho duas mulheres
em casa. E sou apaixonado por elas.

Leo Villanova
Esse
texto foi publicado na revista Pais
& Filhos de Fevereiro de 2004

Mila, papai Leo e mamãe Juliana.
|